A respiração fica curta, o coração disparado, uma dor no peito… mas criança tem ansiedade? Vamos falar um pouco disso.
O que é ansiedade?
A ansiedade é definida como uma preocupação com uma situação futura que é vista como ameaça.
Geralmente, é um mecanismo de defesa do ser humano,mas quando é excessiva, é considerada patológica, podendo caracterizar o transtorno de ansiedade.
O que é o transtorno de ansiedade na infância?
O transtorno de ansiedade ocorre quando há uma preocupação excessiva, desproporcional e fora de controle com as ameaças futuras, de maneira recorrente, prejudicando as atividades diárias e a qualidade de vida.
Quando a ansiedade na infância deixa de ser normal?
É natural que a criança sinta medo ou apreensão diante de situações novas ou desafiadoras, como provas, viagens, mudanças de casa ou início das aulas.
A preocupação surge quando estes sentimentos são recorrentes e exagerados, causam sofrimento, alteração no sono, na alimentação, nas relações sociais e no desempenho escolar.
Existem diferentes tipos de transtorno de ansiedade?
Sim, os transtornos de ansiedade mais comuns na infância e na adolescência são:
- Transtorno de ansiedade de separação
- Transtorno de ansiedade generalizada
- Fobias específicas
- Ansiedade social
- Transtorno do pânico – mais comum em adolescentes
Em crianças, em qual idade a ansiedade costuma aparecer?
A ansiedade de separação, que é o medo da separação dos pais/cuidadores, costuma aparecer por volta dos 8-9 meses e desaparece por volta dos 3 anos.
Os pré escolares podem ter o transtorno de ansiedade de separação, em que o medo da separação das figuras de apego é excessivo.
O transtorno de ansiedade é mais evidente em escolares, pré-adolescentes e adolescentes.
O transtorno de ansiedade é comum em crianças?
O transtorno de ansiedade é o transtorno psiquiátrico mais comum da infância, e sintomas ansiosos ou depressivos ocorrem em cerca de 25% das crianças brasileiras.
Quais os sintomas mais comuns da ansiedade patológica?
Os sintomas mais comuns relacionados a ansiedade patológica são:
- Palpitação/taquicardia
- Tontura
- Sudorese – suores excessivos
- Boca seca
- Alterações no sono
- Alterações no apetite
- Medo sem causa aparente
- Apreensão
- Descontrole de pensamentos
- Sensação de perigo próximo
E nas crianças, esses mesmos sintomas estão relacionados à ansiedade?
Em crianças, podemos ter os sintomas acima, mas também:
- Dor de cabeça
- Dor abdominal
- Dor nas pernas
- Pesadelos frequentes
- Choro/ irritação frequentes
Meu filho vem apresentando dor abdominal constante, recorrente, e já realizou vários exames, sem encontrarmos uma causa definida. Pode haver relação com ansiedade?
A dor abdominal é um dos sintomas físicos mais frequentes em crianças e adolescentes com transtorno de ansiedade, e pode estar acompanhada de outros sintomas como náuseas, dor de cabeça, e dor torácica.
No entanto, toda criança com dor abdominal recorrente deve passar por avaliação médica para excluir outras causas.
A ansiedade na infância tem causa definida?
As causas para o aparecimento da ansiedade não são totalmente conhecidas, mas há influência de fatores genéticos e ambientais na sua origem.
Quais fatores ambientais estão relacionados com a ansiedade?
Alguns fatores relacionados à ansiedade em crianças são:
- Dinâmicas familiares – conflitos, negligência, superproteção
- Situações sociais desafiadoras
- Eventos traumáticos
- Falecimento de familiares
- Desigualdade racial
- Pressão excessiva
- Estímulos excessivos (uso de telas) e redes sociais, principalmente quando substituem o sono, brincadeiras, atividades físicas e encontros presenciais
Que comportamentos do meu filho podem estar relacionados ao transtorno de ansiedade?
Alguns comportamentos que podem corresponder a um quadro de ansiedade patológica são:
- Querer ficar sempre próximo dos cuidadores
- Estar sempre angustiado
- Querer faltar à escola com frequência
- Parar de fazer suas atividades rotineiras
- Assustar-se facilmente
- Ter medo generalizado
Minha filha sempre foi boa aluna, mas as notas pioraram e ela não tem mais interesse nas atividades escolares, pode ser um transtorno ansioso?
Sim, alguns comportamentos como queda no rendimento escolar, notas mais baixas, dificuldade de concentração e recusa em participar de atividades em grupo podem estar relacionados com um quadro ansioso patológico.
Como fazer o diagnóstico de transtorno de ansiedade?
O diagnóstico de transtorno de ansiedade é clínico, ou seja, é feito por um médico. Converse com o pediatra do seu filho para uma avaliação inicial, e se a suspeita do transtorno continuar, uma avaliação psiquiátrica é indicada.
Qual o tratamento do transtorno de ansiedade?
O tratamento do transtorno de ansiedade é individualizado de acordo com o paciente, mas geralmente inclui psicoterapia, e em alguns casos, terapia medicamentosa.
Além do tratamento médico, o que posso fazer para ajudar meu filho com ansiedade?
Algumas atitudes podem ser tomadas para ajudar no tratamento, como:
- Ajudar seu filho a enfrentar os medos e elogiar quando ele lidar bem com as preocupações
- Escutar seu filho, e ajudar a falar sobre seus sentimentos
- Incentivar seu filho a fazer pequenos progressos – enfrentar situações desafiadoras aos poucos
Que mudanças de estilo de vida posso fazer para ajudar minha criança com ansiedade?
Algumas mudanças podem auxiliar na redução dos sintomas ansiosos e melhora da saúde mental da criança, como:
- Manter uma rotina diária, com horários regulares para acordar, dormir e se alimentar
- Incentivar atividades físicas e brincadeiras
- Escutar a criança atentamente e validar suas queixas, observações e percepções
- Diminuir o tempo de exposição a telas
Conclusão
A ansiedade é uma resposta natural de defesa, mas quando excessiva é considerada um transtorno.
Se seu filho apresenta sintomas ansiosos que estão comprometendo suas atividades diárias, seu apetite ou seu sono, procure seu pediatra para uma avaliação, e se necessário, busque ajuda psicológica ou psiquiátrica.
Quando o diagnóstico é feito e o tratamento é adequado, há uma melhora muito importante dos sintomas e da qualidade de vida, a criança volta a estabelecer relações saudáveis com as pessoas e situações, voltando a se sentir capaz e feliz.
Dra. Mariana Nogueira de Paula, mãe da Ana Luísa, Helena e do Miguel.
Pediatra, Gastropediatra e Hepatologista Infantil
Santo André e Grande ABC



